Este espaço foi criado para trocar ideias e atividades da área de Lingua e Literatura, compartilhando com os colegas experiências vividas ao longo da minha profissão.
Língua
Gosto de sentir a minha lígua roçar A língua de Luís de Camões Gosto de ser e de estar E quero me dedicar A criar confusões de prosódias E uma profusão de paródias Que encurtem dores E furtem cores como camaleões Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa E sei que a poesias está para a prosa Assim como o amor está para a amizade (...) (Caetano Veloso)
Aluno(a)
__________________________________________ 1º Ano turma _______
Atividade Avaliativa
Parcial da I Unidade Peso : 3,0
1.[Em
Portugal], você poderá ter alguns probleminhas se entrar numa loja
de roupas desconhecendo
certas sutilezas da língua. Por exemplo, não adianta pedir para ver
os ternos —peça
para ver os fatos. Paletó é casaco. Meias são peúgas. Suéter é
camisola — mas não se assuste,porque calcinhas femininas são
cuecas. (Não é uma delícia?)
Ruy
Castro. Viaje Bem. Ano VIII, nº 3, 78.
a)O
texto destaca a diferença entre o português do Brasil e o de
Portugal quanto: ( 0, 5)
(
) ao vocabulário ( )à derivação ( ) à
pronúncia ( ) ao gênero ( )síntaxe.
b)Como você
classificaria este texto? Jistifique sua resposta. (0,5)
c)As
diferenças entre Brasil e Portugal também pode ser conhecida como:
(0,5)
2. Tendo
em vista que “as gírias” compõem o quadro de variantes
linguísticas ligadas ao aspecto sociocultural, analise os excertos a
seguir, indicando o significado de cada termo destacado de acordo com
o contexto: (0,5)
a
– Possivelmente não iremos à festa. Lá, todos os convidados são
patricinhas
e mauricinhos!
b
- Nossa! Como meu pai é careta!
Não permitiu que eu assistisse àquele filme.
c
– Os namoros resultantes da modernidade baseiam-se somente no
ficar.
d
– E aí mano?
Estás a fim de encontrar com uma mina hoje? A parada vai bombar!
e
– Aquela aula de matemática foi péssima, nãosaqueinada
daquilo que o professor falou.
3.
“Considerando
a enorme e inegável importância que a escrita tem nos povos e
civilizações ‘letradas’, continuamos, povos orais”.
A partir deste entendimento assinale a alternativa que NÃO completa
corretamente a afirmativa: A oralidade… (0,25)
A)
nunca desaparecerá e sempre será, ao lado da escrita, o grande meio
de expressão e de atividade comunicativa.
B)
enquanto prática social é inerente ao ser humano e não será
substituída por nenhuma outra tecnologia.
C)
será sempre a porta da iniciação à racionalidade e fator de
identidade social, regional, grupal dos indivíduos.
D)
deve ser trabalhada pela escola, mostrando as diferenças e
semelhanças entre as duas modalidades lingüísticas, a fala e a
escrita.
E)
elimina a necessidade de se trabalharem em sala de aula os estudos
gramaticais.
Vício
na fala
Para
dizerem milho dizem mio /Para melhor dizem mió /Para pior pio /
Para telha dizem teia /
Para
telhado dizem teiado / E vão construindo telhados. (Oswald de
Andrade. Obras Completas)
a) A
variação linguística indetificado no textoe é: (0,25)
b) Podemos
classificar o texto em literário ou não literário? Justifique sua
resposta. (0,25)
c) O autor
respeita as pessoas que falam desta forma ou está crticando?
Justifique sua resposta. (0,25)
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
A Mudança
As poltronas de uma a uma eram ocupadas. Em nenhum momento desejei outro lugar. Desde a chegada, permaneci na maior parte do tempo imóvel. Uma vez que outra lançava o pescoço para alguma direção (pois toda espera sabe ser angustiante).
Ocupado? Não, não. Pode sentar-se...
Entreolhava-nos. Antecipar-me aos outros é meu costume. Chegar antes é indício de que são os outros é que estão atrasados... Antigos hábitos? Difícil desfazê-los, não é.
O passado tem novo espetáculo! Em cartaz, o silêncio...
A luz do instante recai à puída e rasgada caixa de sapato, no canto da mesa. A infância repassa o texto. Mas, oportunamente, é a adolescência que subiu ao palco, ostentando um monólogo escrito num dia chuvoso, sob o teto de um quarto alugado. (Bebeu toda a goteira. Para matar a fome, um carreteiro com pouco arroz e carne e muita cebola). Os talheres e os pratos servidos nos aguardavam, nos seus devidos lugares.
Requentávamos o instante. O mofo no rodapé do quarto era um atrativo. Sobretudo, eu espirrava a minha alergia de sempre...
Na desgastante impaciência do fecha e reabre dos guardados – sob o empoeirado gesto desliga e liga das luzes –, estão o lápis por apontar, as folhas de papel reciclado imitação à velha mesa carcomida pela umidade e os pacotes com as roupas nunca dantes usadas.
E ali – dentro desse – um sapato sem casa, e de muitas calçadas e asfalto irregulares na sola, sedento por possuir o que hoje muito lhe possui. Contundente, também a reivindicar o mundo.
De calça cinza-noturno, camisa azul-tempestade e gravata vermelho-passional. Eu vestia-me adequado. Os demais ali, estranhos para diferentes ocasiões, vestiam mesmo era a farra da bagunça.
De repente aquela mulher, no esboço dos lábios espremidos. Pelo incontido riso, um sorriso estampava a cama de lençol amarrotado, longínqua, mas quente e aconchegante. De certa forma relíquia impalpável, que se transformou em lenço à emoção amarelada.
À procura da parede branca: olhos atônitos, olhos incisivos e olhares de cristal, que se ignoram cada qual na sua discreta caixa de sapatos.
De volta à cozinha, um choro baixinho. Tome o meu lenço!...
A bagunça está quase toda no fundo das caixas. Os olhos já repousam – é aquela leitura da última página do livro, seguida de um bocejo.
Despedimo-nos. Desde então, está vazio o canto da mesa.
Delalves Costa
Professor e Escritor
Atividade
1. Leia o texto e retire as palavras desconhecidas, depois pesquise-as no dicionário.
2. Além da variedade padrão, o conto apresenta outro variadade linguística, retire-a do texto e diga a que região pertence.
3. Pela característica da linguagem do texto, qual é a provável faixa etária do seu autor? Por quÊ?
4. Qual o modo dessa variedade: oral ou escrito? Justifique com elementos do texto.
5. Quanto ao grau de formalismo, a variedade linguística empregada pode ser considerado formal, informal ou coloquial?
1. Suponha que queira chamar uma pessoa até o local onde você está. Como faria para chamá-la, se ela fosse: a) um idoso, como mais de 70 anos.
b) um colega da sua classe, com quem voce tem muita amizade.
c) um rapaz, que você não conhece.
2. Você está andando na rua e um desconhecido lhe pergunta: " Você cohece a rua Castro Alves por aqui?". a) Se voc~e conhece, a resposta mais lógica a essa pergunta será: 1. Sim, conheco. 2. Conheço. até logo. 3. Conheço, é a primeira à direita.
b) Por que as outras duas resposta seriam inadequadas?
Colégio Est. Gov. Luiz Viana Filho Aluno(a)____________________ Série____________ Turma__________
1. Leia tentamente o texto seguinte e, depois, responda às questões. Coisas do Meu Sertão
Seu dotô, que é da cidade Tem diproma e posição E estudou derne minino Sem perdê uma lição, Conhece o nome dos rios, Que corre inriba do chão, Sabe o nome de estrela Que forma constelação, Conhece todas as coisa Da historia da criação E agora qué i na Lua Causando admiração, Vou fazê uma pergunta, Me preste bem atenção: Pruque não quis aprendê As coisa do meu sertão?
Por favô, não negue não Quero que o sinhô me diga Pruquê não quis o roçado Onde se sofre de fadiga, Pisando inriba do toco, Lacraia, cobra e formiga, Cocerento de friêra, Incalombado de urtiga, Muntas vez inté duente, Sofrendo dô de barriga, Mas o jeito é trabaiá Que a necessidade obriga. (...)
(Patativa do Assaré)
derne: forma regional, equivalente a desde. inriba: forma regional, equivalente a em cima, sobre. incalombado: cheio de calombos.
a) Como você acha que é o sertanejo do poema de Patativa do Assaré?
b)Você conhece alguém que fale do mesmo modo que o sertanejo? De que região do Brasil é essa pessoa?
c)Reescreva na língua padrão os seginte versos: "Tem diproma e posição E estudou drne minino Sem perdê uma lição, Conhece o nome dos rios, Que corre inriba do chão,"
d) Como você imagina que é o "dotô" a quem o sertanejo dirige a palavra?
e)Quem fala "mais correto" o sertanejo ou o doutor? Justifique a sua resposta.
f) No Brasil existem contrastes tão grandes como o "dotô" e o sertanejo "coerento de frieira". Esse contranste é facilemnte notado na maneira de falar dessas pessoas?
2. Imagine que na sua rua chegou um novo(a) morador(a) que veio de outra região e, portanto, tem uma maneira de falar diferente da sua. Escreva um pequeno texto contando como conheceu esse(a) novo(a) amigo(a). O seu texto deve aporesentar uma descrição desse(a) novo(a) amigo(a).
Obs: Atividade para o 6º ano do Fundamental, mas podeser ampliada para as outras séries.
Antônio Gonçalves da Silva, dito Patativa do Assaré, nasceu a 5 de março de 1909 na Serra de Santana, pequena propriedade rural, no município de Assaré, no Sul do Ceará. É o segundo filho de Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva. Foi casado com D. Belinha, de cujo consórcio nasceram nove filhos. Publicou Inspiração Nordestina, em 1956, Cantos de Patativa, em 1966. Em 1970, Figueiredo Filho publicou seus poemas comentados Patativa do Assaré. Tem inúmeros folhetos de cordel e poemas publicados em revistas e jornais. Cresceu ouvindo histórias, os ponteios da viola e folhetos de cordel. Em pouco tempo, a fama de menino violeiro se espalhou. Com oito anos trocou uma ovelha do pai por uma viola. Dez anos depois, viajou para o Pará e enfrentou muita peleja com cantadores. Quando voltou, estava consagrado: era o Patativa do Assaré. Nessa época os poetas populares vicejavam e muitos eram chamados de 'patativas' porque viviam cantando versos. Ele era apenas um deles. Para ser melhor identificado, adotou o nome de sua cidade. Patativa só passou seis meses na escola. Isso não o impediu de ser Doutor Honoris Causa de pelo menos três universidades. Não teve estudo, mas discutia com maestria a arte de versejar. Desde os 91 anos de idade com a saúde abalada por uma queda e a memória começando a faltar, Patativa dizia que não escrevia mais porque, ao longo de sua vida, 'já disse tudo que tinha de dizer'. Patativa morreu em 08 de julho de 2002 na cidade que lhe emprestava o nome.
COLÉGIO ESTADUAL GOVERNADOR LUIZ VIANA FILHO LINGUA PORTUGUESA E LITERATURA – 1º ANO - PROFESSORA: ATIVIDADE: VARIAÇÃO LINGÜÍSTICA
LINGUA
Esta língua,é como um elástico que espicharam pelo mundo No inicio era tensa, de tão clássica. com o tempo, se foi amaciando, foi se tornando romântica, incorporando os termos nativos e amolecendo nas folhas de bananeira as expressões mais sisudas.
Um elástico que já não se pode mais trocar, de tão gasto; nem se arrebenta mais, de tão forte. Um elástico assim como ponto de partida.
(Gilberto Mendonça Teles)
1)Por que o poeta compara a língua portuguesa como um elástico ? ______________________________________________________________________________________________________________________________________
2)Que Gilberto Mendonça Teles quis dizer com “... era tensa...se foi amaciando...”? ______________________________________________________________________________________________________________________________________ 3)Explique e exemplifique o verso: “...incorporando os termos nativos...” ______________________________________________________________________________________________________________________________________ 4)Explique o paradoxo existente na 3º estrofe. ______________________________________________________________________________________________________________________________________
É por meio da língua que o homem expressa suas idéias, as idéias de sua geração, as idéias da comunidade a que pertence, as idéias de seu tempo. A todo instante, utiliza-a de acordo com uma tradição que lhe foi transmitida e contribui para sua renovação e constante transformação. Cada falante é, a um tempo, usuário e agente modificador de sua língua, nela imprimindo marcas geradas pelas novas situações com que se depara. Nesse sentido, pode-se afirmar que na língua projeta-se a cultura de um povo, compreendendo-se cultura no seu sentido mais amplo, o conjunto dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e de outros valores espirituais e materiais e características de uma sociedade transmitidos coletivamente.
Ao falar, um indivíduo transmite, além da mensagem contida em seu discurso, uma série de dados que permite a um interlocutor identificar o grupo a que pertence.
A entonação, a pronúncia, a escolha vocabular, a preferência por determinadas construções frasais, os mecanismos morfológicos podem servir de índices que identifiquem:
a)o país ou aregião de que se origina;
b)o grupo social de que faz parte (o seu grau de instrução, a sua faixa etária, o seu nível socioeconômico, a sua atividade profissional);
c)a situação (formal ou informal) em que se encontra.
As diferentes maneiras de se “usar” uma língua gera uma grande variedade lingüística.
Se alguém afirmasse “Esses gajos que estão a esperar o elétrico são uns gandulos”, não se hesitaria em classifica-lo como falante de Língua Portuguesa, em sua variante lusa.
Se por outro lado ouvisse “Se abanquem, se abanquem, tchê!”, ficaria claro que se tratava de um falante de Língua Portuguesa, em sua variante brasileira, natural do Sul do país.
O Brasil, em decorrência do processo de povoamento e colonização a que foi submetido e devido à sua grande extensão, apresenta grandes contrastes regionais e sociais, estes últimos perceptíveis mesmo em grandes centros urbanos, em cuja periferia se concentram comunidades mantidas à margem do progresso.
Um retrato fiel, atual, de nosso país teria de colocar lado a lado: executivos de grandes empresas; técnicos que manipulam, com desenvoltura, o computador; operários de pequenas, médias e grandes indústrias; vaqueiros isolados em latifúndios; cortadores de cana; pescadores; plantadores de mandioca em humildes roças ; pompeiros que comercializam pelo sertão; indígenas.
Nos grandes centros urbanos, as variantes lingüísticas geram entre os falantes o preconceito lingüístico, e muitas pessoas são discriminadas por sua forma de falar. No entanto, alguns escritores aproveitaram este fato para caracterizar as personagens que criaram, pois perceberam a riqueza presente nas variantes regionais. Jorge Amado e Graciliano Ramos enriqueceram a literatura brasileira com personagens marcantes como Pedro Bala, Gabriela e Alexandre.
Desvincular o falante de seus costumes e caracteres lingüísticos é afasta-lo de sua essência e autenticidade.
1.Por que, no Brasil, há grandes contrastes na utilização da Língua Portuguesa?
2.Qual a sua opinião sobre o preconceito lingüístico?