Este espaço foi criado para trocar ideias e atividades da área de Lingua e Literatura, compartilhando com os colegas experiências vividas ao longo da minha profissão.

Língua

Gosto de sentir a minha lígua roçar
A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódias
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesias está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade (...)
(Caetano Veloso)
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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Atividade Escrita , leitura e interpretação




1. A tirinha é um gênero textual que tem por objetivo a ironia e o humor. Na análise da tirinha em estudo, pode-se afirmar que:
A) evidencia a satisfação dos alunos em receber professor em sala, pois nos últimos anos vem ocorrendo muita falta de docentes por motivos de saúde;
B) destaca a relação afetiva entre professor e aluno, em que alunos reconhecem o valor do professor, prestam homenagens justas e valorizam o educador.
C) revela estratégia dos alunos para fugirem da prova, envolvendo o professor em situação afetiva, buscando assim alcançarem seus objetivos.
D) valoriza o aluno que sabe fazer discursos de homenagem ao professor, destacando-se como líder, bem como os alunos bons em caricaturas.
2. Há no termo bem vindo, na fala do primeiro balão, uma incorreção gramatical no tocante à
A) acentuação B) pontuação C) emprego do hífen D) ortografia
    3. Imaginem-se na posição dos alunos desta tirinha: vocês concordam com a atitude destes? O que essa atitude revela? Justifique.

    4. Imaginem-se na posição do professor: que atitude tomaria? Justifique.
5. A relação professor e aluno é muito intensa: o professor é aquele que media a aprendizagem, que estimula a curiosidade e a busca do conhecimento. O aluno é aquele que aprende a aprender, que estuda, que pesquisa, que amplia seus conhecimentos, que pensa, que critica, que faz! Pensando nesta provocação e na sua experiência como aluno, POSICIONE-SE como é a relação dos alunos com os professores em sua escola. Há situações como esta descrita pela tirinha?



terça-feira, 1 de maio de 2012

Leitura: De olho no meio ambiente

De olho no meio ambiente

Você toma banho, viaja, compra coisas, come, vai à escola e faz as mesmas coisas que quase
todo mundo faz. E a gente pode não perceber, mas todas essas ações causam impacto na natureza.
Faz pouco tempo que a humanidade começou a se preocupar com isso. Antigamente, as pessoas
não tinham consciência de que suas ações afetavam a vida de outros seres. A população era bem menor,
e o modo de vida era muito diferente.
Assim, usar madeira de uma árvore para fazer uma casa não seria um problema. Mas, para
erguer uma cidade, uma floresta inteira poderia ser destruída, mudando a vida de muitos seres. Além
disso, com uma população maior, há mais interferência no ambiente para ter plantações, ruas, indústrias e
fontes de energia.
Graças aos avanços da ciência, pouco a pouco, o homem foi percebendo que causava
desequilíbrio no ambiente e descobrindo quanto isso era grave.
Preocupado, em 1866, o alemão Ernest Haeckel criou um termo para definir uma ciência que
estava surgindo: a ecologia, que estuda a relação dos seres vivos com o meio ambiente.
Mas foi só no século 20 que o assunto passou a ser mais discutido. Em 5 de junho de 1972, foi
realizada a primeira Conferência Mundial sobre Meio Ambiente para destacar a importância de proteger a
natureza e melhorar as condições de vida do planeta. A data foi escolhida como Dia Mundial do Meio
Ambiente. Hoje, todos sabem que é importante preservar a natureza, e a data serve para lembrar que
devemos pensar sobre o problema.
A cada ano, nascem 77 milhões de pessoas. É mais gente consumindo produtos e recursos
naturais. Aí, as indústrias produzem mais, muitas poluem o ar, as águas e o solo. Lixo, contaminação dos
mares e poluição do ar e do solo não são ruins só para os humanos. Se outros seres vivos ficam sem
alimento ou casa, podem desaparecer, piorando o desequilíbrio ecológico.
Além de tentar recuperar o que foi destruído, temos de encontrar soluções para que as pessoas
vivam bem sem prejudicar a natureza.
Hoje, há cerca de 6,5 bilhões de pessoas na Terra. Calcula-se que, em 2050, sejam mais de 9
bilhões. Se toda essa turma ajudar, a Terra poderá se tornar um lugar melhor para os habitantes de todas
as espécies.
Revista Recreio, maio de 2008. p. 24. (Texto adaptado)


Sobre o texto 1, marque a resposta correta.

1) No trecho “Faz pouco tempo que a humanidade começou a se preocupar com isso” (linha 03), a
palavra sublinhada refere-se ao trecho

(A) “...essas ações causam impacto na natureza.”
(B) “...há cerca de 6,5 bilhões de pessoas na Terra.”
(C) “...faz as mesmas coisas que quase todo mundo faz.”
(D) “...usar madeira de uma árvore para fazer uma casa...”
(E) “A data foi escolhida como Dia Mundial do Meio Ambiente.” 

2) O autor do texto De olho no meio ambiente afirma que, por alguma razão, o homem tomou
consciência de que suas ações prejudicavam a natureza.
A frase que aponta essa razão é
(A) “Mas foi só no século 20 que o assunto passou a ser mais discutido.”
(B) “Antigamente, as pessoas não tinham consciência de que suas ações afetavam a vida de outros
seres.”
(C) “Hoje, todos sabem que é importante preservar a natureza, e a data serve para lembrar que
devemos pensar sobre o problema.”
(D) “Além disso, com uma população maior, há mais interferência no ambiente para ter plantações,
ruas, indústrias e fontes de energia.”
(E) “Graças aos avanços da ciência, pouco a pouco, o homem foi percebendo que causava
desequilíbrio no ambiente e descobrindo quanto isso era grave.” 

3) No trecho “Aí, as indústrias produzem mais, e muitas poluem o ar, as águas e o solo.” , o
valor semântico do termo em destaque é
(A) causa.
(B) adição.
(C) oposição.
(D) explicação.
(E) consequência.


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Atividade escrita - Leitura e Interpretação(2)

Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!

Fosse uma manhã de sol
o índio tinha despido
o português.

Oswald de Andrade

1. No poema tem umna expressão que revela marcas da linguagem mais coloquial. Transcreva-a.

2. Nesse poema, a expressão erro de português possui ambiguidade, isto é, duplo sentido. Um dos sentidos é "erro cometido ao utilizar a língua portuguesa", indique outro sentido possível.

3. A expressão "o índio" é sujeito da ação e em outro momento é objeto da ação. Localize os versos onde ocorrem essas funções.

4. Na sua opinião, qual a crítica que se pode deduzir desse poema?

5. "Vestiu o índio/Que pena". Que sentimento é demonstrado nesta expressão? Justifique sua resposta.

Obs: Atividade do Livro Tudo é linguagem adaptada para os alunos do 8º ano.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Atividade escrita



1. Leia a tirinha de Mafalda e responda:
a) Levante hipótese: Por que Mafalda sabia que o palavrão era "política"


b)Qual a intenção da tira ao relacionar a palavra política com palavrão?


2) Destaque o radical das palavras abaixo:

palavrão
política
entardecer
enforcar
amanhecer

3) Escreva palavras que o radical comece com P.


4) Qual é a função sintática da expressão: "aquele palavrão", no segundo quadrinho?


5)O que provoca o humor no último quadrinho?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Trabalhando com tirinhas - gramática aplicada (III)




1. A resposta de Magali demonstra:

[ ] alegria [ ] tristeza

[ ] aborrecimento [ ] indiferença


2. “Dê-me um beijo e terá uma bela surpresa”.

a) Identifique o pronome. ______________________________________________

b) O pronome identificado pode ser classificado como:

[ ] possessivo [ ] demonstrativo

[ ] pessoal do caso obliquo [ ] relativo


3. Onde reside o humor da tirinha? Explique da melhor forma possível.



4. Leia: “A chuva derrubou as pontes. A chuva transbordou os rios. A chuva molhou os transeuntes. A chuva encharcou as praças. A chuva enferrujou as máquinas. A chuva enfureceu as marés. A chuva e seu cheiro de terra. A chuva com sua cabeleira. A chuva esburacou as pedras. A chuva alagou a favela. A chuva de canivetes. [...]”

Todas as frases do texto começam com "a chuva". Esse recurso é utilizado para

(A) provocar a percepção do ritmo e da sonoridade.

(B) provocar uma sensação de relaxamento dos sentidos.

(C) reproduzir exatamente os sons repetitivos da chuva.

(D) sugerir a intensidade e a continuidade da chuva.

sábado, 10 de setembro de 2011

RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?


MEIRELES, Cecília: poesia. Por Darcy Damasceno.
Rio de Janeiro, Agir, 1974. p 19-20.


1. O tema do texto é

(A) a consciência súbita sobre o envelhecimento.
(B) a decepção por encontrar-se já fragilizada.
(C) a falta de alternativa face ao envelhecimento.
(D) a recordação de uma época de juventude.
(E) a revolta diante do espelho.

2. No verso: Eu não tinha estas mãos sem forças... Podemos inferir:
(A) as forças das mãos acabaram por causa da idade.
(B) as mãos não tinham forças na juventude.
(C) as mãos tinham forças na juventude.
(D) as forças das mãos não se acabaram.

3. Responda a pergunta do poema, use a criatividade.
___________________________________________________

4. Identifique os adjetivos usados no poema.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Caiu no Vestibular

(UFG-2006-2ª fase- História) Leia os trechos do poema de Murilo Mendes:

Eu quis acender o espírito da vida,
Quis refundir meu próprio molde,
Quis conhecer a verdade dos seres, dos elementos;
Me rebelei contra Deus.
[...]
Então o ditador do mundo
Mandou me prender no Pão de Açúcar:
Vem, esquadrilhas de aviões
Bicar o meu pobre fígado.
Vomito bílis em quantidade,
[...]
Mas não posso pedir perdão.

Citado por RODRIGUES, Antonio Medina. As utopias gregas.São Paulo: Brasiliense, 1988. p. 51-52.

A poesia de Murilo Mendes reatualiza o mito grego, apresentando uma percepção do mundo contemporâneo. Identifique e caracterize a narrativa mítica grega à qual o poema se refere.


Fonte: Retirado da Internet

sábado, 13 de agosto de 2011

Leitura - Interpretação

A turba do “pega e lincha”

[...] Pelo que sinto e pelo que ouço ao redor de mim, eles [os indivíduos da turba] estão errados. O espetáculo que eles nos oferecem inspira um horror que rivaliza com o que é produzido pela morte de Isabella. Resta que eles supõem nossa cumplicidade, contam com ela. Gritam seu ódio na nossa frente para que, todos juntos, constituamos um grande sujeito coletivo que eles representariam: “nós”, que não matamos Isabella; “nós”, que somos diferentes dos assassinos; “nós”, que, portanto, vamos linchar os “culpados”. Em parte, a irritação que sinto ao contemplar a turma do ‘pega e lincha’ tem a ver com isto: eles se agitam para me levar na dança com eles, e eu não quero ir.

As turbas servem sempre para a mesma coisa. Os americanos de pequena classe média que, no Sul dos Estados Unidos, no século XIX e no começo do século XX, saíam para linchar negros procuravam só uma certeza: a de eles mesmos não serem negros, ou seja, a certeza de sua diferença social.

O mesmo vale para os alemães que saíram para saquear os comércios dos judeus na Noite de Cristal, ou para os russos ou poloneses que faziam isso pela Europa Oriental afora, cada vez que desse: queriam sobretudo afirmar sua diferença. Regra sem exceções conhecidas: a vontade exasperada de afirmar sua diferença é própria de quem se sente ameaçado pela similaridade do outro. No caso, os membros da turba gritam sua indignação porque precisam muito proclamar que aquilo não é com eles. Querem linchar porque é o melhor jeito de esquecer que ontem sacudiram seu bebê para que parasse de chorar, até que ele ficou branco. Ou que, na outra noite, voltaram bêbados para casa e não se lembram em quem bateram e quanto.

Nos primeiros cinco dias depois do assassinato de Isabella, um adolescente morreu pela quebra de um toboágua, uma criança de quatro anos foi esmagada por um poste derrubado por um ônibus, uma menina pulou do quarto andar apavorada pelo pai bêbado, um menino de nove anos foi queimado com um ferro de marcar boi. Sem contar as crianças que morreram de dengue.[...]

A turba do "pega e lincha" representa, sim, alguma coisa que está em todos nós, mas que não é um anseio de justiça. A própria necessidade enlouquecida de se diferenciar dos assassinos presumidos aponta essa turma como representante legítima da brutalidade com a qual, apesar de estatutos e leis, as crianças podem ser e continuam sendo vítimas dos adultos.

CALLIGARIS, Contardo. A turba do “pega e lincha”. Em: Folha de S. Paulo, Ilustrada, 24 de abr. 2008.

1. Qual a informação focada por Calligaris nesse artigo?

2. Baseado no conhecimento psicanalítico e na experiência analítica em seu consultório, como o autor interpreta a informação?

3. O autor nos fornece pistas para a reflexão sobre a visa (sabedoria) e, portanto, para o filosofar. Por exemplo, leva-nos a indagar “o que é a justiça”. Identifique outros questionamentos por ele sugeridos.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Atividade escrita - verbo(II)


1. Leia:

Qual será o futuro das cidades?

[...] Independentemente de tamanho ou localização, as cidades vão enfrentando ao menos um desafio comum: o aumento da tensão urbana provocado pela crescente desigualdade entre seus moradores. Não há mágica tecnológica à vista capaz de resolver as dificuldades. Os urbanistas apontam o planejamento como antídoto para o caos. Os governos precisam apostar em parcerias com a iniciativa privada e a sociedade civil. Será necessário coordenar ações locais e iniciativas conjuntas entre cidades de uma mesma região.

Folha de S. Paulo, 2 de maio de 1999.

a) Qual é o desafio comum a todas as cidades?

b) Qual a resolução do problema apontado pelos urbanistas?

c) Retire do texto os verbos e classifique-os em: VL (verbo de ligação); VI ( verbo intransitivo) ou VT ( verbo transitivo).

domingo, 27 de março de 2011

Marília de Dirceu - Lira II

"Marília de Dirceu", de Alberto Guignard


Texto I

Lira II

Pintam, Marília, os Poetas
A um menino vendado,
Com uma aljava de setas,
Arco empunhado na mão;
Ligeiras asas nos ombros,
O tenro corpo despido,
E de Amor, ou de Cupido
São os nomes, que lhe dão.

Porém eu, Marília, nego,
Que assim seja Amor; pois ele
Nem é moço, nem é cego,
Nem setas, nem asas tem.
Ora pois, eu vou formar-lhe
Um retrato mais perfeito,
Que ele já feriu meu peito;
Por isso o conheço bem.

Os seus compridos cabelos,
Que sobre as costas ondeiam,
São que os de Apolo mais belos;
Mas de loura cor não são.
Têm a cor da negra noite;
E com o branco do rosto
Fazem, Marília, um composto
Da mais formosa união.

Tem redonda, e lisa testa,
Arqueadas sobrancelhas;
A voz meiga, a vista honesta,
E seus olhos são uns sóis.
Aqui vence Amor ao Céu,
Que no dia luminoso
O Céu tem um Sol formoso,
E o travesso Amor tem dois.

Na sua face mimosa,
Marília, estão misturadas
Purpúreas folhas de rosa,
Brancas folhas de jasmim.
Dos rubins mais preciosos
Os seus beiços são formados;
Os seus dentes delicados
São pedaços de marfim.

Mal vi seu rosto perfeito
Dei logo um suspiro, e ele
Conheceu haver-me feito
Estrago no coração.
Punha em mim os olhos, quando
Entendia eu não olhava:
Vendo o que via, baixava
A modesta vista ao chão.

Chamei-lhe um dia formoso:
Ele, ouvindo os seus louvores,
Com um gesto desdenhoso
Se sorriu, e não falou.
Pintei-lhe outra vez o estado,
Em que estava esta alma posta;
Não me deu também resposta,
Constrangeu-se, e suspirou.

Conheço os sinais, e logo
Animado de esperança,
Busco dar um desafogo
Ao cansado coração.
Pego em teus dedos nevados,
E querendo dar-lhe um beijo,
Cobriu-se todo de pejo,
E fugiu-me com a mão.

Tu, Marília, agora vendo
De Amor o lindo retrato,
Contigo estarás dizendo,
Que é este o retrato teu.
Sim, Marília, a cópia é tua,
Que Cupido é Deus suposto:
Se há Cupido, é só teu rosto,
Que ele foi quem me venceu.

Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu. São Paulo, Melhoramentos, 1964. p. 29-30

Texto II

de que seda
é tua pele?

de que fogo
minha sede?

de que vida
tua vinda?

pedaço que pedaço
sonho que teço

que jogo
nos vence?

cedo
mais cedo
do que penso.

Alice Ruiz. Vice-versos. São Paulo, Brasiliense, 1988. p. 36

1. Que impressão você teve sobre o amor ao ler os poemas?

2. Identifique nos poemas pronomes e verbos que revelam a pessoa gramatical do eu lírico.

3. Caracterize o eu lírico de cada poema.

4. Explique o que é o amor para:
a) o eu lírico de Dirceu.

b) o eu lírico do poema de Alice Ruiz.

c) E você, como define a palavra amor?

5. Como é a linguagem predominante em cada poema: formal ou informal? Comente.

6. No verso " E seus olhos são uns sóis", que qualidades foram ressaltadas a respeito dos olhos de Marília?

7. Releia os últimos versos de cada poema. Esses versos apresentam uma ideia comum em relação ao amor. Que ideia é essa?


Do livro: Trabalhando com a Linguagem de Givan Ferreira e outros autores, adaptado como atividade de produção textual, leitura, interpretação e literatura



segunda-feira, 14 de março de 2011

Recado ao senhor 903 - Texto

Colégio Estadual Governador Luiz Viana Filho

Data:____/____/___Série: ____ Turma______

Aluno (a):___________________________________________

Disciplina: Língua Portuguesa Professor(a) ________________

Recado ao senhor 903

Vizinho....

Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explicito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a leste pelo 1005, a oeste pelo 1001, ao sul pelo Oceano Atlântico, ao norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor.todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão; ao meu número) será convidado a se retirar às 21:45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois às 8:15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até i 527de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas – e prometo silêncio.

...Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: “Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou”. E o outro respondesse: “Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela.”

E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer [...] o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.

BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhida, 4ª ed. Rio de Janeiro, 1980

1. Qual a principal ideia do texto?


a) A briga entre vizinhos de um prédio residencial.

b) O barulho e a confusão no apartamento 1003.

c) A carta e a reclamação verbal do vizinho 903.

d) O sonho de uma vida melhor e mais solidária.


2. Segundo o autor, quem faz barulho?


a) O vizinho 903 e a rua.

b) O senhor 1005 e os ventos.

c) O morador 1004 e a maré.

d) O homem do 1003 e o mar.


3. O que o narrador pretende ao utilizar números no texto?

a) Aceitar a distância existente entre as pessoas do edifício.

b) Criticar a indiferença existente entre os moradores do prédio.

c) Concordar com a frieza predominante das relações humanas.

d) Valorizar a boa educação comum a todos do grupo.


Obs: Atividade retirado do MEC - Matrizes de Língua Portuguesa - Prova de Desempenho

sábado, 12 de março de 2011

Atividade Escrita - interpretação

Colégio Estadual Gov. Luiz Viana Filho

Série:______________ Turma____________ Turno__________

Aluno(a)__________________________________________

1.Leia o início da crônica “Ela”, de Luis Fernando Veríssimo.

Ainda me lembro do dia em que ela chegou lá em casa. Tão pequenina! Foi uma festa. Botamos ela num quartinho dos fundos. Nosso filho ficou maravilhado com ela. Era um custo tirá-lo da frente dela para ir dormir.

Combinamos que ele só poderia ir para o quarto dos fundos depois de fazer todas as lições.

- Certo, certo.

- Eu não ligava muito para ela. [...]

a) O Narrador não informa precisamente quem chegou, mas dá algumas pistas. O que sabemos sobre ela?

b) Qual a palavra que se refere a quem chegou?

c) Qual é o sentido que a repetição dessa palavra traz para o texto?

d) Levante uma hipótese sobre qual seria o motivo das mudanças no cotidiano da família. Justifique sua resposta com elementos do texto.

e) Reescreva o texto substituindo a palavra repetida pela hipótese que você levantou.

f) Copie do texto as palavras que substitue o substantivo filho.

g) Classifique, quanto a classe gramatical, as palavra que você copiou no ítem anterior.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Linguagem

Texto I


Texto II

Avarandado

Cada palmeira da estrada
tem uma moça recostada
uma é minha namorada
e esssa estrada vai dar no mar

Cada palma enluarada
tem que estar quieta parada
qualquer canção quase nada
vai fazer o sol levantar
vai fazer o sol nascer

Namorando a madrugada
eu e minha namorada
vamos andando na estrada
que vai dar no avarandado do amanhecer

(Caetano Veloso, disco Domingo, 1967)


Considerando que a linguagem visual (foto) e a verbal(poema) transmitem informações, responda às questões:

1. Você acha que as duas linguagem transmitem mensagens semelhantes? Justifique.

2. Qual das duas veiculou informações com maior rapidez?

3. Você concorda com a afirmação de que o texto escrito possibilita uma interpretação mais detalhada e "profunda" das informações? Justifique sua resposta.

4. A imagem do casal na praia, na sua opinião, ilustra a poesia de Caetano? Eplique.


In: Português Palavra e arte de Tania Pellegrinu e Marina Ferreira.

domingo, 29 de agosto de 2010

texto: A descoberta do mundo

A descoberta do mundo

O que eu quero contar é tão delicado é tão delicado quanto a própria vida. E eu queria poder usar delicadeza que também tenho em mim, ao lado da grossura de camponesa que é o que me salva.
Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em aprender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce , estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo aliás atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. Ou será que eu adivinhava mas turvava minha possibilidade de lucidez para poder, sem me escandalizar comigo mesmo, continuar em inocência a me enfeitar para os meninos? Enfeitar-me aos onze anos de idade consistia em lavar o rosto tantas vezes até que a pele esticada brilhasse. Eu me sentia pronta, então. Seria minha ignorância um modo sonso e inconsciente de me manter ingênua para poder continuar, sem culpa, a pensar nos meninos? Acredito que sim. Porque eu sempre soube coisas que nem eu mesma sei que sei.
As minhas colegas de ginásio sabiam de tudo e inclusive contavam anedotas a respeito. Eu não entendia mas fingia compreender para que elas não me desprezassem e à minha ignorância.
Enquanto isso, sem saber da realidade, continuava por puro instinto a flertar com os meninos que me agradavam, a pensar neles. Meu instinto precedera a minha inteligência.
Até que um dia, já passados os treze anos, como se só então eu me sentisse madura para receber alguma realidade que me chocasse, contei a uma amiga íntima o meu segredo: que eu era ignorante e fingira de sabida. Ela mal acreditou, tão bem eu havia fingido. Mas terminou sentindo minha sinceridade e ela própria encarregou-se ali mesmo na esquina de me esclarecer o mistério da vida. Só que também ela era um amenina e não soube falar de um modo que não ferisse a minha sensibilidade de então. Fiquei paralisada olhando para ela, misturando perplexidade, terror, indignação, inocência mortalmente ferida. Mentalmente eu gaguejava: mas por quê? Mas por quê? O choque foi tão grande – e por uns meses traumatizante – que ali mesmo na esquina jurei alto que nunca iria me casar.
Embora meses depois esquecesse o juramento e continuasse com meus pequenos namoros.
Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amo. Esse adulto saberia como lidar com uma alma infantil sem martirizá-la com a surpresa, sem obrigá-la a ter toda sozinha que se refazer para de novo aceitar a vida e os seus mistérios.
Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continua intacto. Embora eu saiba que de uma planta brotar um flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é pudor apenas feminino.
Pois juro que a vida é bonita.
( Clarice Lispector. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro, Rocco. p. 113-115)
I- Compreensão e Interpretação de Texto

1.Como a narradora faz sua própria descrição? ____________________________________________________________________________________________________________________________
2.Por que o título do texto é “A descoberta do mundo”? Explique?
________________________________________________________________ ________________________________________________________________
3. De acordo com o contexto em que está inserido, a que a narradora-personagem se refere quando menciona “os fatos da vida”?
__________________________________________________________________________

4. Leia as frases abaixo retiradas do texto “A descoberta do mundo”, observando as palavras em destaque, depois assinale a alternativa que contenha, respectivamente, os sinônimos.

I – Fui precoce em muitas coisas.
II – Meu instinto precedera a minha inteligência.
III – O mais surpreendente é que, mesmo depois de saber tudo, o mistério continuou intacto.
IV – Seria minha Ignorância em modo sonso de me manter ingênua?

a) atrasada/adiantou/insuportável/ dissimulado/compreensível.
b) adiantada/ surgiu depois/admirável/ fantástico/inteiro/atrevido.
c) prematura/surgiu antes/admirável/inteiro/dissimulado (x)
d) nenhuma das alternativas

5. Retire do texto duas locuções adverbiais, depois dê as circunstâncias que elas indicam.
________________________________________________________________________

6. Preencha o quadro com as informações pedidas sobre os verbos retirados do texto:

Verbo Infinitivo Conjugação Pessoa Número Tempo Modo
Quero
Estava
Chamam

7. Marque a alternativa em que todas as palavras estejam grafadas de acordo com as novas regras ortográficas.

a) guarda-chuva/ para-quedas/ manda-chuva/ couve-flor
b) guarda-chuva/ paraquedas/ mandachuva/ couve-flo (x)
c) anti-inflamatório/ microônibus/ mal-criado/ autorretrato.
d) anti-inflamatório/ micro-ônibus/ mal-criado / auto-retrato
e)Maria-mole/ arco-íris/ microônibus/ autorretrato]

8. Leia a frase a seguir, depois reescreva passando para o futuro do subjuntivo:
“ ... populações inteiras abandonaram suas aldeias e cidadezinhas...”
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